sábado, 16 de janeiro de 2021

Achado

 

Perdido

 

me perdi.
ou fui perdido?

talvez,
nunca estive.

me busquei em nomes,
em gestos herdados,
em silêncios mal escutados
nada.

me achei num não-lugar,
num quase-eu,
num espelho torto onde
o reflexo me perguntava:
“você é quem te vê?”

(eu não soube responder.)

sou o que restou
de um rascunho que ninguém quis assinar.

um rastro,
um quase,
um eco em carne.

fui me escrevendo em cicatrizes
e lendo em mim
o que o mundo apagou.

não estou aqui.
nem lá.

sou esse meio:
entre ser e suportar,
entre o toque e o trauma,
entre o que sou
e o que esperam que eu finja ser.

sou a margem da margem,
o intervalo entre duas vozes.
sou a pausa que ninguém escuta

                                                       mas que sustenta o som..

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