Perdido
me perdi.
ou fui perdido?
talvez,
nunca estive.
me busquei em nomes,
em gestos herdados,
em silêncios mal escutados
nada.
me achei num não-lugar,
num quase-eu,
num espelho torto onde
o reflexo me perguntava:
“você é quem te vê?”
(eu não soube responder.)
sou o que restou
de um rascunho que ninguém quis assinar.
um rastro,
um quase,
um eco em carne.
fui me escrevendo em cicatrizes
e lendo em mim
o que o mundo apagou.
não estou aqui.
nem lá.
sou esse meio:
entre ser e suportar,
entre o toque e o trauma,
entre o que sou
e o que esperam que eu finja ser.
sou a margem da margem,
o intervalo entre duas vozes.
sou a pausa que ninguém escuta
mas que sustenta o som..
Nenhum comentário:
Postar um comentário