sábado, 16 de janeiro de 2021

Achado

 

Perdido

 

me perdi.
ou fui perdido?

talvez,
nunca estive.

me busquei em nomes,
em gestos herdados,
em silêncios mal escutados
nada.

me achei num não-lugar,
num quase-eu,
num espelho torto onde
o reflexo me perguntava:
“você é quem te vê?”

(eu não soube responder.)

sou o que restou
de um rascunho que ninguém quis assinar.

um rastro,
um quase,
um eco em carne.

fui me escrevendo em cicatrizes
e lendo em mim
o que o mundo apagou.

não estou aqui.
nem lá.

sou esse meio:
entre ser e suportar,
entre o toque e o trauma,
entre o que sou
e o que esperam que eu finja ser.

sou a margem da margem,
o intervalo entre duas vozes.
sou a pausa que ninguém escuta

                                                       mas que sustenta o som..

sábado, 9 de janeiro de 2021

Brinco com gravidade

 Brinco muito, falo sério.

digo muito do que ninguém quer ouvir.

provoco, e sinto por não haver dialética...

Enfim, toco espinhos, critico crenças, mas nunca duvido da fé

e se perdi amigos, não eram, nem ligo.

só quero alguém crítico para dialogar comigo...


Então, mesmo que ninguém leia, continuarei.

e se possível, apesar de minha inconveniência

com muita ternura, digo:

Sou palhaço, mas quando falo com gravidade

não ria.

se pergunto,

não fuja.

se não concorda,

argumente.

se não tens argumento,

não defenda o indefensável.

E, por favor, jamais abandone um assunto,

no auge de minha retórica...


Se sou eloquente,

também sou ouvinte atento

e até posso ser convencido do contrário,

mediante a validade de seus argumentos

sou chato, mas amo muito.

ambos cresceremos...

Jamais abandono um conflito criativo e podendo

vou te engravidar de palavras...